conto de NATAL
Dezembro 24, 2007O conto que se segue foi mais ou menos inventado por mim e o meu avô deu-lhe um jeitinho para ficar melhor.
Ele disse-me que o conto podia ser mais bem escrito e que eu fazia bem em pedir ás pessoas que o lêem para o reconstruírem se achassem que valia a pena.
Por isso espero que, em vez de o comentarem, o refaçam no local dos “comments”. Ele também me propôs que a melhor versão de todas que lá aparecesse fosse publicada por altura do Ano-Novo. E eu aceitei. E vocês?!

O GANSO-DA-ASA-FERIDA
Era uma vez um ganso muito branquinho que, com uma asa ferida, caiu do céu.
Um menino, que vinha a passar, viu-o e dirigiu-se a ele para o consolar.
Foi então que apareceu um senhor bem vestido que lhe disse:
-Olha rapaz, não deves tocar na ave porque ela pode ter uma gripe perigosa!
O menino, pressentindo o sofrimento do ganso, fingiu que se ia embora, mas depois voltou atrás e, com muito cuidado, embrulhou-o e levou-o para uma barraca de madeira que o pai tinha no fundo do quintal.
Era uma barraca para guardar alfaias agrícolas que já não tinha serventia.
Aí o colocou, depois de lhe ter feito um ninho com camisas de milho.
Receando que alguém mais o impedisse de tratar do seu ganso, resolveu não contar nada a ninguém. Nem a seus pais.
Foi na internet que ele encontrou um sítio destinado a ensinar a curar-asas-feridas, para evitar mais sofrimento à ave. E aí também teve o cuidado de saber o que era isso da gripe das aves, de que lhe falou o senhor bem vestido, mas sem motivo porque, se aquela tinha febre era da ferida de que padecia.
Passados uns tempos, depois de ter tratado muito bem do seu novo amigo, o menino resolveu libertá-lo, numa altura em que os pais não estavam em casa.
Foi à barraca das alfaias, pegou no ganso e depois encaminhou-se em direcção à figueira grande que ficava ali pertinho.
Largou-o no chão para ver se ele já podia voar de novo. Porém, o bichinho manteve-se aninhado e calmo.
Como fazia frio e a curiosidade era muita, regressou à barraca para, por entre as tábuas, poder observar como ele iria reagir a partir daí.
Para surpresa sua, passado pouco tempo, viu surgir outros dois gansos que pousaram à beira do seu amigo.
Bateram nos bicos uns dos outros como se estivessem a tocar-se com as palmas das mãos, como fazem os humanos quando alguma coisa correu bem. Ficou maravilhado com o que viu.
Deixou-se ali estar algum tempo a contemplá-los até que, sem querer, adormeceu de cansaço sobre as camisas de milho que cobriam o chão.
Só acordou quando os seus pais chegaram a casa e começaram a gritar pelo seu nome, naturalmente preocupados com sua ausência. Nessa altura olhou para o local onde deixara os gansos mas já eles tinham partido.
Entre decepcionado e feliz, pensou logo que os três haviam reiniciado a sua migração em direcção a África, fugindo do frio, como lhe tinham ensinado na escola.
Antes do jantar disse aos pais como encontrou e tratou do ganso e contou-lhes também este lindo sonho que teve quando adormeceu sobre as camisas de milho:
“Eu sonhei que os três gansos, incluindo o que eu curei, me convidaram a montar nas suas costas, à vez, para me levarem até ao Pólo Norte a caminho da casa do Pai Natal. E foi dali, de casa do Pai Natal, que os três gansinhos agradecidos me trouxeram de volta, com muitas prendas para distribuir pelas crianças pobres da nossa aldeia”.
Contado o sucedido com o ganso, bem como o sonho, os pais riram-se docemente para o filho dizendo-lhe que também eles, na sua ausência, tinham cuidado do “passarinho”. Disseram-lhe igualmente, porque era noite de Natal, que no tempo deles quem distribuia as prendinhas nos sapatos era o Menino Jesus…
bernard - 24 Dezembro 2007
Nota: -O meu avô não resistiu e hoje (27/12) resolveu “melhorar” o texto, visto que parece ter tido pouco sucesso o meu pedido para que outros leitores o tornassem mais capaz
Publicado por bernard duchêne

