A mania das grandezas

Janeiro 5, 2008
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Era uma vez um número Zero que, para além de triste, era muito gordinho. Comia muito, estudava pouco e tinha medo de andar sozinho.

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Um dia, ao passar por um número Um, que era um número muito magrinho, perguntou-lhe:
-És capaz de me dizer o que fazes para não engordar?
-Sim senhor, meu velho amigo e vizinho. Eu não como mais do que o necessário.Tudo o que é excessivo faz mal. Sabias?
Respondeu o número Um.
No dia seguinte voltaram a encontrar-se e o Zero voltou a interrogar o Um.
-És capaz de me dizer como fazes para ser um bom aluno?
-Sim senhor, meu velho amigo e vizinho. Ao contrário do que pensas eu gasto o mesmo tempo à mesa que tu. Só que em vez de gastar lá todo o tempo a comer, aproveito também para aí estudar.
Respondeu o número Um, desta vez com um certo ar de superioridade.
No outro dia voltaram a encontrar-se, mais uma vez, por casualidade.
-És capaz de me dizer porque é que não tens medo de andar sozinho e eu tenho? -perguntou o Zero ao Um, com humildade.
-Sim senhor, meu velho amigo e vizinho. Tanto eu como o Dois, o Três, o Quatro, o Cinco, o Seis, o Sete, o Oito e o Nove, sozinhos ou acompanhados, temos sempre algum valor e tu não. Sozinho, ou só com os teus irmãos gémeos ao pé de ti, não vales nada. E é por isso que tu estás sempre a pedir-nos ajuda, com medo de estar sozinho ou mal acompanhado.
Respondeu o número Um, desta vez com um ar ainda de maior superioridade e menosprezo.
O Zero, que andava muito triste até aí, começou a meditar nas respostas que lhe deu o número Um e tomou uma decisão: “Vou arranjar a maneira de, sozinho, ser um número menos gordo, estudioso e deixar de ter medo de andar sozinho”.
Um dia, alguns meses depois do último encontro, o Zero e o Um voltaram a encontrar-se.
O Um, muito surpreendido e com alguns ciúmes, perguntou ao Zero:
- O que te deu para atares de tal modo a barriga que agora passaste a ser um Oito?
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-Sabes? Comecei também a comer menos (graças a uma banda gástrica), a estudar mais e a ter confiança em mim. E isso devo-o a ti. Nos estudos que fiz cheguei à conclusão que, como algumas pessoas, alguns números também podem deixar de ser pouco importantes, se quizerem. E digo-te mais, descobri até que eu sozinho, agora, valho tanto ou mais do que todos os outros números juntos, incluindo-te a ti, por muito grande que seja a fila que façam. Sabes como?
-Não. Respondeu o Um.
-Pois então repara. Retorquiu o Zero.
Boquiaberto e sem saber o que dizer, o Um viu o Zero - que virou Oito - a fazer um valente pino e depois a deitar-se no chão, ao comprido.
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-Como me lês agora, meu amigo magricelas?
Perguntou carinhosamente o Zero que virou Infinito.
Nota: - Este é um conto que o meu avô fez para mim e pediu para o melhorarem, nos comentários, se virem que vale a pena.