O sapinho da pinta azul

Janeiro 31, 2008

sapinho-_-rei.jpgEra uma vez uma corrida de sapos, cujo objectivo era alcançar o alto de uma grande torre.

No local havia muita gente, mesmo muita, para assistir à prova. Para vibrar e torcer por eles.

A meio da corrida a assistência deixou de acreditar na presteza dos sapos para atingir o cimo da torre e, o que mais se ouvia, era:

– “Que pena! – Estes sapos não vão conseguir, não vão conseguir!”

E, realmente, muitos deles começaram a desistir.

A multidão, para os que restavam, continuava a gritar:

– “Que pena! – Vocês não vão conseguir!”

E os sapos, um a um, iam desistindo. Até que ficou só um – o mais pequeno e magrinho, com pinta azul – que continuava a subir, lenta mas seguramente, em busca do topo. Acabando por ganhar a prova.

A curiosidade tomou conta da multidão, pois queriam saber o segredo de como aquele sapinho magrinho, de pinta azul, tinha conseguido subir tão alto.

Então, abeiraram-se dele e perguntaram-lhe:

-Como conseguiste chegar tão alto?

E o sapinho, embaraçado, respondeu-lhes:

-“Desculpem, desculpem, eu sou SURDO!”

Festa da entrega dos prémios:

Nota: -Adaptação de estória encontrada na web.
Anúncios

O sonho

Janeiro 22, 2008

A noite passada sonhei que fiz uma viagem. Andei de barco e avião com o meu irmão.
Foi uma aventura muito louca porque quando acordei até soava.
Gritei pela minha mãe, no sonho, porque fomos atacados por um dinossauro Rex.
Depois o meu irmão puxou da sua espada e furou-lhe uma orelha. O bicho fugiu logo cheiinho de medo.
Nós também estávamos cheios de medo e por isso metemo-nos no nosso barco, a correr.
Fartámo-nos de remar, até que encontrámos um areal muito grande.
Aí perguntámos a uma velhota taralhouca, que estava a tomar banhos de sol, aonde havia um campo de aviação porque queríamos continuar a viagem pelo ar.
A velhota disse que lhe parecia que havia um, mas que tínhamos que atravessar um rio muito largo que ficava mais a norte.
Chegámos aí e, para espanto nosso, encontrámos o mesmo dinossauro a quem o meu irmão tinha furado a orelha.
Desta vez ele veio, muito de mansinho, ao nosso encontro e começou a falar, depois de nos mostrar o brinco que tinha posto na orelha furada:
– Olhem, os meninos foram enganados, o aeroporto mais próximo fica do lado de lá do rio, de onde vieram mas mais para ali. Vocês vão por aqui abaixo e quando encontrarem um grande camelo perguntem-lhe que ele já sabe aonde é.
Estivemos depois com o tal camelo que nos deu logo a informação que precisávamos.
Chegámos ao aeroporto e subimos no avião que estava à nossa espera. Levantámos voo e olhámos cá para baixo por entre as nuvens. Dali víamos uma terra muito pobre que tinha dinossauros e também muitos camelos. Que falavam.
A minha mãe acordou-me nessa altura – a sério – para ir para a escola.
Foi pena porque estava a gostar das aventuras que eu e o Jean vivemos a noite passada no meu sonho. Se tornar a sonhar, prometo voltar aqui para vos contar.
bernardodesenho-231208.jpg

 

Nota: O meu avô, como sempre, pergunta-me se eu não me importo que ele meta mais umas “palavrinhas” dele nos meus textos. Ele diz que é indecente, mas assim também mostramos como se faz uma equipa entre avô e neto. Por isso eu deixo sempre. Só que desta vez ele parece que exagerou porque alterou muito o que eu fiz. Mas por favor não lhe digam nada que eu disse.


O avô está a dormir. Não podem entrar!

Janeiro 14, 2008

o-bicho-a-furar-a-parede-e-a-esconder-se-de-novo.gif

dormir.png


Arte com “A” grande

Janeiro 13, 2008

A foto acima é da ante-estreia realizada em 9 deste mês

Pedimos muita desculpa às pessoas que aqui vieram, leram e comentaram o poste que esteve neste lugar com o mesmo título.

A falta de experiência nestas coisas da net levaram-nos a perder definitivamente aquele texto.

O meu avô diz que ainda se lembra mais ou menos do mais importante e então vamos repô-lo com nova roupagem.

Falávamos de um jovem músico português de seu nome Luís Tinoco (filho do conceituado arquitecto, músico e pintor leiriense, José Luís Tinoco, há muito radicado em Lisboa) que, de parceria com Terry Jones, levaram ontem à cena (estreia mundial) a fantasia musical “Evil Machines” concebida por aquele conhecido autor inglês.

“Evil Machines” vai estar em cena de 12 de Janeiro a 3 de Fevereiro, na sala principal do Teatro Muncipal São Luiz em Lisboa, às terças, quartas, sextas e sábados às 21h00 e domingos às 17h30.

Algumas palavras de Terry Jones:

…”(humor como este) «já se escrevia na França do século XVIII» e decidiu escrever livros para crianças quando se apercebeu que as histórias que contava à filha quando ela tinha 5 anos eram «muito violentas».


A mania das grandezas

Janeiro 5, 2008
zero.jpg
Era uma vez um número Zero que, para além de triste, era muito gordinho. Comia muito, estudava pouco e tinha medo de andar sozinho.

um.jpg


Um dia, ao passar por um número Um, que era um número muito magrinho, perguntou-lhe:
-És capaz de me dizer o que fazes para não engordar?
-Sim senhor, meu velho amigo e vizinho. Eu não como mais do que o necessário.Tudo o que é excessivo faz mal. Sabias?
Respondeu o número Um.
No dia seguinte voltaram a encontrar-se e o Zero voltou a interrogar o Um.
-És capaz de me dizer como fazes para ser um bom aluno?
-Sim senhor, meu velho amigo e vizinho. Ao contrário do que pensas eu gasto o mesmo tempo à mesa que tu. Só que em vez de gastar lá todo o tempo a comer, aproveito também para aí estudar.
Respondeu o número Um, desta vez com um certo ar de superioridade.
No outro dia voltaram a encontrar-se, mais uma vez, por casualidade.
-És capaz de me dizer porque é que não tens medo de andar sozinho e eu tenho? -perguntou o Zero ao Um, com humildade.
-Sim senhor, meu velho amigo e vizinho. Tanto eu como o Dois, o Três, o Quatro, o Cinco, o Seis, o Sete, o Oito e o Nove, sozinhos ou acompanhados, temos sempre algum valor e tu não. Sozinho, ou só com os teus irmãos gémeos ao pé de ti, não vales nada. E é por isso que tu estás sempre a pedir-nos ajuda, com medo de estar sozinho ou mal acompanhado.
Respondeu o número Um, desta vez com um ar ainda de maior superioridade e menosprezo.
O Zero, que andava muito triste até aí, começou a meditar nas respostas que lhe deu o número Um e tomou uma decisão: “Vou arranjar a maneira de, sozinho, ser um número menos gordo, estudioso e deixar de ter medo de andar sozinho”.
Um dia, alguns meses depois do último encontro, o Zero e o Um voltaram a encontrar-se.
O Um, muito surpreendido e com alguns ciúmes, perguntou ao Zero:
– O que te deu para atares de tal modo a barriga que agora passaste a ser um Oito?

oito.jpg

-Sabes? Comecei também a comer menos,  a estudar mais e a ter confiança em mim. E isso devo-o a ti. Nos estudos que fiz cheguei à conclusão que, como algumas pessoas, alguns números também podem deixar de ser pouco importantes, em certas circunstâncias, se quiserem. E digo-te mais, descobri até que eu sozinho, se quiser, valho mais do que todos os outros números juntos, incluindo-te a ti, por muito grande que seja a fila que façam. Sabes como?
-Não. Respondeu o Um.
-Pois então repara. Retorquiu o Zero que virou Oito.
Boquiaberto e sem saber o que dizer, o Um  viu o Oito (antigo Zero)  desfazer o pino e a deitar-se ao comprido na relva da escola,  de modo a parecer dois Zeros pegados um ao outro.

simbolo-infinito.jpg
-Como me lês agora, meu amigo magricelas? – Perguntou carinhosamente o Zero que virou Infinito.
E o Um, convencido, teve que reconhecer:
-Pois agora pareces realmente o maior de todos. És Infinito.

Nota: – Este é um conto que o meu avô fez para mim e pediu para o melhorarem, nos comentários, se virem que vale a pena.