A mania das grandezas

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Era uma vez um número Zero que, para além de triste, era muito gordinho. Comia muito, estudava pouco e tinha medo de andar sozinho.

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Um dia, ao passar por um número Um, que era um número muito magrinho, perguntou-lhe:
-És capaz de me dizer o que fazes para não engordar?
-Sim senhor, meu velho amigo e vizinho. Eu não como mais do que o necessário.Tudo o que é excessivo faz mal. Sabias?
Respondeu o número Um.
No dia seguinte voltaram a encontrar-se e o Zero voltou a interrogar o Um.
-És capaz de me dizer como fazes para ser um bom aluno?
-Sim senhor, meu velho amigo e vizinho. Ao contrário do que pensas eu gasto o mesmo tempo à mesa que tu. Só que em vez de gastar lá todo o tempo a comer, aproveito também para aí estudar.
Respondeu o número Um, desta vez com um certo ar de superioridade.
No outro dia voltaram a encontrar-se, mais uma vez, por casualidade.
-És capaz de me dizer porque é que não tens medo de andar sozinho e eu tenho? -perguntou o Zero ao Um, com humildade.
-Sim senhor, meu velho amigo e vizinho. Tanto eu como o Dois, o Três, o Quatro, o Cinco, o Seis, o Sete, o Oito e o Nove, sozinhos ou acompanhados, temos sempre algum valor e tu não. Sozinho, ou só com os teus irmãos gémeos ao pé de ti, não vales nada. E é por isso que tu estás sempre a pedir-nos ajuda, com medo de estar sozinho ou mal acompanhado.
Respondeu o número Um, desta vez com um ar ainda de maior superioridade e menosprezo.
O Zero, que andava muito triste até aí, começou a meditar nas respostas que lhe deu o número Um e tomou uma decisão: “Vou arranjar a maneira de, sozinho, ser um número menos gordo, estudioso e deixar de ter medo de andar sozinho”.
Um dia, alguns meses depois do último encontro, o Zero e o Um voltaram a encontrar-se.
O Um, muito surpreendido e com alguns ciúmes, perguntou ao Zero:
– O que te deu para atares de tal modo a barriga que agora passaste a ser um Oito?

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-Sabes? Comecei também a comer menos,  a estudar mais e a ter confiança em mim. E isso devo-o a ti. Nos estudos que fiz cheguei à conclusão que, como algumas pessoas, alguns números também podem deixar de ser pouco importantes, em certas circunstâncias, se quiserem. E digo-te mais, descobri até que eu sozinho, se quiser, valho mais do que todos os outros números juntos, incluindo-te a ti, por muito grande que seja a fila que façam. Sabes como?
-Não. Respondeu o Um.
-Pois então repara. Retorquiu o Zero que virou Oito.
Boquiaberto e sem saber o que dizer, o Um  viu o Oito (antigo Zero)  desfazer o pino e a deitar-se ao comprido na relva da escola,  de modo a parecer dois Zeros pegados um ao outro.

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-Como me lês agora, meu amigo magricelas? – Perguntou carinhosamente o Zero que virou Infinito.
E o Um, convencido, teve que reconhecer:
-Pois agora pareces realmente o maior de todos. És Infinito.

Nota: – Este é um conto que o meu avô fez para mim e pediu para o melhorarem, nos comentários, se virem que vale a pena.
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9 Responses to A mania das grandezas

  1. ahlka diz:

    Todos temos potenciais, há que saber aproveitá-los.
    Temos de confiar em nós para nos tornarmos melhores do que os que se julgam superiores, e não iguais : Apesar de ser um final engraçado, acho que o INFINITO não devia chamar o UM de magricela 😉

    Um bom ano para a dupla avô/neto :)*

  2. María Lola diz:

    Muy bueno tu post Bernard!!
    Nos hace recordar que somos únicos y a la vez iguales a todos.
    Deseo que los Reyes Magos sigan acompañandote en tus reflexiones y cumplan todos tus deseos.
    Te mando un beso grande.

  3. Hola, pasaba a saludar y dejar un cariño desde Buenos Aires.
    MentesSueltas

  4. kikiai diz:

    Ola! vim ver como era o teu cantinho, ja que passaste no meu, retribuo a visita 😉

  5. Bernard, mais um texto para se invejar! Um dia bem lindo para vocês por aí. Dodô, Occhi e Maristela

  6. Queridos amigos. A partir de agora, passo a deixar apenas o endereço de um dos blogs. Desculpem-me, não me tinha dado conta que poderia dar problema.
    abraços daqui do sul do Brasil

  7. Gi diz:

    Sempre ouvi dizer que na equipa vencedora não se mexe. o mesmo digo deste conto que está uma delícia. Agradece ao teu avô por mim .

    Um beijinho

  8. Não há nada para mudar ! Está tudo muito bem !
    Quant à mes vacances, elles se sont bien passées mais malheureusement je n’ai pas vu de neige car il ne faisait pas tellement froid pour l’époque (7º) et au retour, j’ai dû reprendre toutes mes activités et lire plus de 200 mails et je n’en ai pas encore fini. Je suis déjà fatiguée..! Dans quelques jours, j’essayerai de trouver le temps pour mettre un nouveau message sur mon blog…J’espère te lire à ce moment !
    Bisous tous verts pour toi et pour ton Grand-Papa.

  9. Lalage diz:

    Está muito bom. Eu gostei 🙂

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