o príncipe das orelhas de burro

Outubro 22, 2008

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O meu avô disse-me que conhecia um livro intitulado “O príncipe COM orelhas de burro” e que lhe perece que é do poeta e escritor português José Régio. Mas que esse livro lhe parecia que era sobre o “sebastianismo” (o nosso rei D. Sebastião que foi para a guerra no norte de África e desapareceu aí para sempre sem se saber se morreu ou não).

Mas que, de qualquer modo, este conto tradicional português –  que tem mais ou menos o mesmo título do livro de José Régio e que ouvimos e lemos acima – podia ter uma versão com um fim ainda melhor, insistiu o meu avô. E deu-me este exemplo:

(…)
– O Príncipe tem orelhas de burro!…
Começou a espalhar-se esta notícia por toda a cidade e o rei mandou vir à sua presença um dos pastores para que tocasse a gaita; e saíam sempre as mesmas vozes que diziam:
– O Príncipe tem orelhas de burro!… se calhar, a touca é para escondê-las…”
E o príncipe, adivinhando os seus pensamentos, ficou vermelho como um pimento e com as lágrimas nos olhos, exclamou:
– Sim, sou eu o príncipe com orelhas de burro, como ides verificar. Perdoai-me o mal que vos fiz, quando outrora caçoava dos vossos defeitos, sem cuidar que podia ter outros piores…
E, com tais palavras, o príncipe levou a mão à touca e a arrancou. Mas, nisto surgiu a fada sensata que atalhando-lhe o gesto disse:
– Ah, que se não sou eu, tinhas permanecido vaidoso toda a vida! Mas, como estás curado do defeito, não há motivo para continuares orelhudo. Tira, portanto, a touca. E o príncipe assim fez, e as suas orelhas apareceram… rosadas e pequeninas.

Ficaram muito contentes o rei, a rainha e o príncipe. A partir daí, o último, quando alguém lhe chamava a atenção para as pernas tortas deste ou para a estupidez daquele, respondia-lhes:
– Tu é que estás a precisar de umas orelhas de burro, amigo!